Google Groups Home
Help | Sign in
Review of Gilberto New York concert
There are currently too many topics in this group that display first. To make this topic appear first, remove this option from another topic.
There was an error processing your request. Please try again.
flag
  3 messages - Collapse all
The group you are posting to is a Usenet group. Messages posted to this group will make your email address visible to anyone on the Internet.
Your reply message has not been sent.
Your post was successful
JMF  
View profile
 More options Jun 24, 2:02 pm
Newsgroups: rec.music.brazilian
From: "JMF" <jfav...@tin.it>
Date: Tue, 24 Jun 2008 20:02:43 +0200
Local: Tues, Jun 24 2008 2:02 pm
Subject: Review of Gilberto New York concert
This just came through on the classical guitar list.

John


    Reply    Reply to author    Forward  
You must Sign in before you can post messages.
To post a message you must first join this group.
Please update your nickname on the subscription settings page before posting.
You do not have the permission required to post.
Daniella Thompson  
View profile
 More options Jun 24, 3:38 pm
Newsgroups: rec.music.brazilian
From: Daniella Thompson <danit...@gmail.com>
Date: Tue, 24 Jun 2008 12:38:42 -0700 (PDT)
Local: Tues, Jun 24 2008 3:38 pm
Subject: Re: Review of Gilberto New York concert
There are more detailed reviews in the Brazilian press. Here's the one
from O Globo:

João, voz e violão emocionam o Carnegie Hall em Nova York

Carnegie Hall lotado, noite de começo de verão em Nova York. No palco,
uma cadeira, mesa com água e toalha, três microfones, sendo um de
teto, 15 autofalantes espalhados. O baiano João Gilberto, aos 77 anos,
entrou em cena oito minutos depois da hora marcada, sem anúncio. E
assim começou a festa dos 50 anos da bossa-nova, marcados a partir da
histórica gravação de "Chega de saudade", em julho de 1958, por
Elizeth Cardoso. João, de terno preto, camisa e gravata em tons de
azul, pontuando o ritmo com os pés, volta e meia balaçando os joelhos,
daquele modo que virou sua marca registrada, abriu o show com
"Doralice", de Dorival Caymmi. E foram 25 canções, com um roteiro que
inclui os clássicos todos: "Chega de saudade", "Corcovado", "Samba de
uma nota só", "O pato", "Desafinado", e terminou com "Garota de
Ipanema".

Não faltou reclamação, claro, lá estava o João perfeccionista, de
sempre. Mas foram todas feitas num tom gentil, como quem pede
desculpas por ter que reclamar. João reclamou da posição do microfone.
Alguém entrou no palco para ajudar. Em seguida, ele reclamou do ar-
condicionado no palco. "Sopra um ventinho aqui na minha cabeça que me
deixa afônico… Please, brother…", disse entre uma canção e outra. Mas,
mesmo mencionando três vezes o problema nas quase duas horas do show,
nada o impediu de seguir até o fim o roteiro de canções, cuja ordem
estava escrita em cartolinas, coladas no chão do palco, que ele
buscava ler através das lentes de seus óculos, desta vez sem os
pesados aros negros. Na platéia, quase toda de brasileiros, havia
gente famosa, admiradores da bossa-nova, como Diana Krall e Wim
Wenders.

O violão sincopado e a voz melodiosa continuam os mesmos. Mas desta
vez João alternou suas ênfases não apenas nas três repetições
habituais de cada canção, que ele á capaz de transformar em novidade a
cada vez tal a mudança de interpretação, ora mais ritmica, ora mais
melódica, como em "De conversa em conversa". João mudou também a
interpretação de alguns clássicos de seu repertório. "Estate", por
exemplo, ganhou ênfase nos graves, virando quase um recitativo, menos
melodia e mais ritmo, o que ampliou ao infinito a melancolia da letra.
O mesmo ocorreu em "Aos pés da santa cruz". E "Ligia", de Tom e Chico,
foi cantada sem dizer um só vez o nome da musa inspiradora da letra.

Outras canções ganharam um toque ainda mais balanceado, em que a
melodia revela tantas nuances na voz de João que praticamente todas as
sílabas tornam-se tônicas, como no verso "e o seu balançado é mais que
um poema", de "Garota de Ipanema". Foi assim, com essa atenção
infinita à melodia, que ele cantou "Morena Boca de Ouro", "Bahia com
H", "Rosa Morena", "Preconceito", "Pra machucar meu coração", "Wave",
"Caminhos cruzados" ou "Brigas nunca mais". E ainda ensaiou seu
castellano na letra triste de "Eclipse". De Dorival a Wilson Batista,
de Tom e Newton Mendonça a Tom e Vinícius, o repertório clássico da
bossa nova estava todo lá, na voz do mestre inventor do ritmo.

 Depois de cantar 23 canções, sendo a última delas "Desafinado", João
deixou o palco sob aplausos de pé, e cinco minutos depois voltou para
mais duas canções. Uma delas, uma brincadeira, feita em tom gentil:
João pediu licença, em inglês, para cantar uma "versão" de "Deus salve
a América", de Braguinha, que ele conheceu quando jovem no Brasil. E
cantou a canção que, cita o hino americano composto por Irving Berlin,
mas fala na letra de uma terra tropical, com "verdes mares, florestas,
lindos campos em flor/ Deus salve a América, meu céu, meu lar" como a
recordar para a platéia, ironicamente, que o nome América pertence a
todo o continente e não apenas a um país. E em seguida, contadas 25
canções no total, João terminou o espetáculo histórico com "Garota de
Ipanema". Assim, 50 anos depois da primeira gravação de "Chega de
saudade", 46 anos depois do primeiro espetáculo de bossa nova no
Carnegie Hall (em novembro de 1962), terminou a festa de aniversário
do ritmo que virou sinônimo de Brasil pelo mundo a fora.


    Reply    Reply to author    Forward  
You must Sign in before you can post messages.
To post a message you must first join this group.
Please update your nickname on the subscription settings page before posting.
You do not have the permission required to post.
Daniella Thompson  
View profile
 More options Jun 24, 4:42 pm
Newsgroups: rec.music.brazilian
From: Daniella Thompson <danit...@gmail.com>
Date: Tue, 24 Jun 2008 13:42:47 -0700 (PDT)
Local: Tues, Jun 24 2008 4:42 pm
Subject: Re: Review of Gilberto New York concert
From Folha de S. Paulo:

João, o tempo e o vento
Entre sirene, celulares, choro e risos

Sérgio Dávila

João Gilberto desafiou o tempo e o vento em sua primeira apresentação
do ano em que a bossa nova completa seu cinqüentenário. Aos 77 anos,
completados no último dia 10, o baiano de Juazeiro tocou duas dezenas
de versões clássicas do gênero que ajudou a inventar em apresentação
para 2.000 pessoas, que lotavam a sala principal do Carnegie Hall, em
Nova York, no domingo.

Se não ousou na sua lista de músicas, fez isso na interpretação delas
e ao incluir na abertura do bis a versão que Braguinha (1907-2006)
criou para a canção patriótica "God Bless America", que Irving Berlin
(1888-1989) começou a compor em 1918 e que os norte-americanos
adotaram como um de seus hinos não-oficiais -os EUA não têm um hino
oficial.
De certa maneira, João Gilberto cantando "Deus salve a
América" ("Verdes mares/ Florestas/ Lindos campos abertos em flor") no
palco que o ajudou a consagrar em 1962 era sua maneira de dizer
"obrigado" ao país. Modesto e tímido, ele disse que pedia "permissão"
para fazê-lo e lembrou que cantava a música quando jovem no Brasil -
ele e milhares de estudantes e pracinhas brasileiros nas décadas de 40
e 50.

Foi a primeira apresentação do músico na casa desde 2004, e o primeiro
show que faz depois de ter se desligado de sua empresária de mais de
uma década, Carmela Forsin. Perto dos 80, João passou o controle de
sua carreira a Claudia Faissol, mãe de uma de suas filhas, Luísa -a
outra, Bebel Gilberto, expoente de um gênero derivado do do pai, a
"new bossa", apresentava-se naquela noite em outro lugar.
Agora, depois de cinco anos de ausência dos palcos brasileiros, o
músico faz quatro shows no festival Itaúbrasil. Pela minitemporada em
comemoração dos 50 anos da bossa nova, levará um cachê estimado em R$
2 milhões.

Roupa nova

Mais calvo, um pouco rouco, com ritmo pouca coisa mais lento que nos
últimos shows, João Gilberto ainda é João Gilberto. Ao desfilar o
rosário de sambas, boleros e sambas-bossas que colocou na história da
música popular brasileira apenas por tê-los tocado um dia, o músico
apresentou uma roupagem nova de algumas canções que é o mais próximo a
que chegaria de uma "regravação".

Foi assim, por exemplo, com a icônica "Chega de Saudade", em que
esticou as pausas entre as frases -como em "Que... sem ela não pode
ser", "Que... sem ela não há paz, não há beleza" ou "Que os beijinhos
que eu darei... na sua boca"-, sussurrou "abraços e beijinhos" e cuja
melodia tornou mais grave, o que conseguiu ao cantar "boooleza", em
vez de "beleza", e "mooolancolia", em vez de "melancolia".

Ou com "Lígia", uma revolução que comprova a capacidade do músico de
se reinventar e, com isso, reinventar o gênero. Ele cantou a música
inteira de Tom Jobim depois modificada por Chico Buarque sem mencionar
nenhuma vez o nome-título da musa. Sorriu triste na frase "as bobagens
de amor que eu iria dizer", emocionando.

Nessas horas e em outras interpretações, como as de "O Pato", "Aos Pés
da Santa Cruz" e "Samba de Uma Nota Só", em que mais sussurrou e
chegou mesmo a fazer uma segunda voz, ficou mais evidente sua maneira
de brincar com o tempo, o andamento das músicas, apressando e
atrasando as frases e a melodia, que se encontram no fim.

Animado, ele ritmava as músicas com o pé esquerdo, não numa batida
sincopada, mais em ondas que ensaiava com a perna inteira. Nas músicas
em que gostava mais do resultado que ouvia pelos dois retornos à sua
frente, balançava as duas pernas, afastando e aproximando os joelhos,
o que em outros mortais parece ser o tédio na sala de espera do
consultório, mas em "joãogilbertês" pode ser descrito como dança.

Momentos de tensão

A noite de quase duas horas e duas dezenas de músicas não foi livre de
momentos de tensão. Por três vezes, João reclamou do "vento".
"Desculpe falar uma coisa, tem um ventinho aqui na minha cabeça, me
faz um pouco afônico", disse, depois de cantar a italiana "Estate".
Voltaria após "Wave": "Please, esse ventinho".

A tensão na platéia era evidente. Numa mistura rara de histeria e
evento psicossomático coletivos, muitos começaram a sentir eles
próprios o vento, não uma brisa leve, mas rajadas de ar ártico
congelante. É que, num dos shows na casa, há alguns anos, João chegou
a se levantar a 15 minutos de espetáculo e deixar o palco por
problemas técnicos.

Mas, na terceira vez em que reclamou do ar-condicionado, após o bolero
"Eclipse de Luna", o fato já tinha entrando para o folclore. "Olha o
meu ventinho outra vez, please", cantarolou. A platéia riu, aliviada.

O vento estava domado, e a noite, salva.

[Then follows the minute-by-minute set list I posted in the topic
"João Gilberto's set list at Carnegie Hall ."

DT


    Reply    Reply to author    Forward  
You must Sign in before you can post messages.
To post a message you must first join this group.
Please update your nickname on the subscription settings page before posting.
You do not have the permission required to post.
End of messages
« Back to Discussions « Newer topic     Older topic »

Create a group - Google Groups - Google Home - Terms of Service - Privacy Policy
©2008 Google