> This review goes into more music detail then most.
> The Bossa Nova style of guitar playing was practically invented by > Gilberto in the 1950's. There is a great book available on the > history of this music:
There are more detailed reviews in the Brazilian press. Here's the one from O Globo:
João, voz e violão emocionam o Carnegie Hall em Nova York
Carnegie Hall lotado, noite de começo de verão em Nova York. No palco, uma cadeira, mesa com água e toalha, três microfones, sendo um de teto, 15 autofalantes espalhados. O baiano João Gilberto, aos 77 anos, entrou em cena oito minutos depois da hora marcada, sem anúncio. E assim começou a festa dos 50 anos da bossa-nova, marcados a partir da histórica gravação de "Chega de saudade", em julho de 1958, por Elizeth Cardoso. João, de terno preto, camisa e gravata em tons de azul, pontuando o ritmo com os pés, volta e meia balaçando os joelhos, daquele modo que virou sua marca registrada, abriu o show com "Doralice", de Dorival Caymmi. E foram 25 canções, com um roteiro que inclui os clássicos todos: "Chega de saudade", "Corcovado", "Samba de uma nota só", "O pato", "Desafinado", e terminou com "Garota de Ipanema".
Não faltou reclamação, claro, lá estava o João perfeccionista, de sempre. Mas foram todas feitas num tom gentil, como quem pede desculpas por ter que reclamar. João reclamou da posição do microfone. Alguém entrou no palco para ajudar. Em seguida, ele reclamou do ar- condicionado no palco. "Sopra um ventinho aqui na minha cabeça que me deixa afônico… Please, brother…", disse entre uma canção e outra. Mas, mesmo mencionando três vezes o problema nas quase duas horas do show, nada o impediu de seguir até o fim o roteiro de canções, cuja ordem estava escrita em cartolinas, coladas no chão do palco, que ele buscava ler através das lentes de seus óculos, desta vez sem os pesados aros negros. Na platéia, quase toda de brasileiros, havia gente famosa, admiradores da bossa-nova, como Diana Krall e Wim Wenders.
O violão sincopado e a voz melodiosa continuam os mesmos. Mas desta vez João alternou suas ênfases não apenas nas três repetições habituais de cada canção, que ele á capaz de transformar em novidade a cada vez tal a mudança de interpretação, ora mais ritmica, ora mais melódica, como em "De conversa em conversa". João mudou também a interpretação de alguns clássicos de seu repertório. "Estate", por exemplo, ganhou ênfase nos graves, virando quase um recitativo, menos melodia e mais ritmo, o que ampliou ao infinito a melancolia da letra. O mesmo ocorreu em "Aos pés da santa cruz". E "Ligia", de Tom e Chico, foi cantada sem dizer um só vez o nome da musa inspiradora da letra.
Outras canções ganharam um toque ainda mais balanceado, em que a melodia revela tantas nuances na voz de João que praticamente todas as sílabas tornam-se tônicas, como no verso "e o seu balançado é mais que um poema", de "Garota de Ipanema". Foi assim, com essa atenção infinita à melodia, que ele cantou "Morena Boca de Ouro", "Bahia com H", "Rosa Morena", "Preconceito", "Pra machucar meu coração", "Wave", "Caminhos cruzados" ou "Brigas nunca mais". E ainda ensaiou seu castellano na letra triste de "Eclipse". De Dorival a Wilson Batista, de Tom e Newton Mendonça a Tom e Vinícius, o repertório clássico da bossa nova estava todo lá, na voz do mestre inventor do ritmo.
Depois de cantar 23 canções, sendo a última delas "Desafinado", João deixou o palco sob aplausos de pé, e cinco minutos depois voltou para mais duas canções. Uma delas, uma brincadeira, feita em tom gentil: João pediu licença, em inglês, para cantar uma "versão" de "Deus salve a América", de Braguinha, que ele conheceu quando jovem no Brasil. E cantou a canção que, cita o hino americano composto por Irving Berlin, mas fala na letra de uma terra tropical, com "verdes mares, florestas, lindos campos em flor/ Deus salve a América, meu céu, meu lar" como a recordar para a platéia, ironicamente, que o nome América pertence a todo o continente e não apenas a um país. E em seguida, contadas 25 canções no total, João terminou o espetáculo histórico com "Garota de Ipanema". Assim, 50 anos depois da primeira gravação de "Chega de saudade", 46 anos depois do primeiro espetáculo de bossa nova no Carnegie Hall (em novembro de 1962), terminou a festa de aniversário do ritmo que virou sinônimo de Brasil pelo mundo a fora.
João, o tempo e o vento Entre sirene, celulares, choro e risos
Sérgio Dávila
João Gilberto desafiou o tempo e o vento em sua primeira apresentação do ano em que a bossa nova completa seu cinqüentenário. Aos 77 anos, completados no último dia 10, o baiano de Juazeiro tocou duas dezenas de versões clássicas do gênero que ajudou a inventar em apresentação para 2.000 pessoas, que lotavam a sala principal do Carnegie Hall, em Nova York, no domingo.
Se não ousou na sua lista de músicas, fez isso na interpretação delas e ao incluir na abertura do bis a versão que Braguinha (1907-2006) criou para a canção patriótica "God Bless America", que Irving Berlin (1888-1989) começou a compor em 1918 e que os norte-americanos adotaram como um de seus hinos não-oficiais -os EUA não têm um hino oficial. De certa maneira, João Gilberto cantando "Deus salve a América" ("Verdes mares/ Florestas/ Lindos campos abertos em flor") no palco que o ajudou a consagrar em 1962 era sua maneira de dizer "obrigado" ao país. Modesto e tímido, ele disse que pedia "permissão" para fazê-lo e lembrou que cantava a música quando jovem no Brasil - ele e milhares de estudantes e pracinhas brasileiros nas décadas de 40 e 50.
Foi a primeira apresentação do músico na casa desde 2004, e o primeiro show que faz depois de ter se desligado de sua empresária de mais de uma década, Carmela Forsin. Perto dos 80, João passou o controle de sua carreira a Claudia Faissol, mãe de uma de suas filhas, Luísa -a outra, Bebel Gilberto, expoente de um gênero derivado do do pai, a "new bossa", apresentava-se naquela noite em outro lugar. Agora, depois de cinco anos de ausência dos palcos brasileiros, o músico faz quatro shows no festival Itaúbrasil. Pela minitemporada em comemoração dos 50 anos da bossa nova, levará um cachê estimado em R$ 2 milhões.
Roupa nova
Mais calvo, um pouco rouco, com ritmo pouca coisa mais lento que nos últimos shows, João Gilberto ainda é João Gilberto. Ao desfilar o rosário de sambas, boleros e sambas-bossas que colocou na história da música popular brasileira apenas por tê-los tocado um dia, o músico apresentou uma roupagem nova de algumas canções que é o mais próximo a que chegaria de uma "regravação".
Foi assim, por exemplo, com a icônica "Chega de Saudade", em que esticou as pausas entre as frases -como em "Que... sem ela não pode ser", "Que... sem ela não há paz, não há beleza" ou "Que os beijinhos que eu darei... na sua boca"-, sussurrou "abraços e beijinhos" e cuja melodia tornou mais grave, o que conseguiu ao cantar "boooleza", em vez de "beleza", e "mooolancolia", em vez de "melancolia".
Ou com "Lígia", uma revolução que comprova a capacidade do músico de se reinventar e, com isso, reinventar o gênero. Ele cantou a música inteira de Tom Jobim depois modificada por Chico Buarque sem mencionar nenhuma vez o nome-título da musa. Sorriu triste na frase "as bobagens de amor que eu iria dizer", emocionando.
Nessas horas e em outras interpretações, como as de "O Pato", "Aos Pés da Santa Cruz" e "Samba de Uma Nota Só", em que mais sussurrou e chegou mesmo a fazer uma segunda voz, ficou mais evidente sua maneira de brincar com o tempo, o andamento das músicas, apressando e atrasando as frases e a melodia, que se encontram no fim.
Animado, ele ritmava as músicas com o pé esquerdo, não numa batida sincopada, mais em ondas que ensaiava com a perna inteira. Nas músicas em que gostava mais do resultado que ouvia pelos dois retornos à sua frente, balançava as duas pernas, afastando e aproximando os joelhos, o que em outros mortais parece ser o tédio na sala de espera do consultório, mas em "joãogilbertês" pode ser descrito como dança.
Momentos de tensão
A noite de quase duas horas e duas dezenas de músicas não foi livre de momentos de tensão. Por três vezes, João reclamou do "vento". "Desculpe falar uma coisa, tem um ventinho aqui na minha cabeça, me faz um pouco afônico", disse, depois de cantar a italiana "Estate". Voltaria após "Wave": "Please, esse ventinho".
A tensão na platéia era evidente. Numa mistura rara de histeria e evento psicossomático coletivos, muitos começaram a sentir eles próprios o vento, não uma brisa leve, mas rajadas de ar ártico congelante. É que, num dos shows na casa, há alguns anos, João chegou a se levantar a 15 minutos de espetáculo e deixar o palco por problemas técnicos.
Mas, na terceira vez em que reclamou do ar-condicionado, após o bolero "Eclipse de Luna", o fato já tinha entrando para o folclore. "Olha o meu ventinho outra vez, please", cantarolou. A platéia riu, aliviada.
O vento estava domado, e a noite, salva.
[Then follows the minute-by-minute set list I posted in the topic "João Gilberto's set list at Carnegie Hall ."